A bela e a fera

A bela e a fera
arte de Mateus Rios, para adaptação realizada por Susana Ventura

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Vida nova

Há dias recebi uma prova de livro e pus-me a ler para lá, ler para cá. Ao chegar à última página encontrei a minha biografia. Muitas vezes, ainda nas primeiras provas, a nossa biografia aparece preenchida por letras aleatórias, que estão ali só para computar os caracteres. Mas neste livro não. Ao lado do meu nome, estava uma biografia linda. Não era minha, mas era linda. Ao lado do meu nome, um novo ano de nascimento – eu ganharia alguns anos (o que me daria direito à aposentadoria de que tanto preciso); um local adorável de nascimento, no Rio Grande do Sul e, melhor que tudo, uma tia contadora de histórias que teria alegrado a minha infância (justo eu, cuja única tia detestava crianças em geral e a mim em particular). Que vontade que me deu de ter, não aquela vida, mas aquela linda biografia... De, pelo menos, pedir para a editora manter aquele texto ao lado do meu nome. Em tempo: não por acaso, o livro será sobre Fernando Pessoa. Nota: fiz uma cópia da página com minha vida nova, eu sei que vou precisar dela qualquer dia desses.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Na estrada

- Filha, você que é uma intelectual, me diga quais foram as invenções mais importantes para a humanidade? - Divórcio e sorvete, pai. Não necessariamente nessa ordem. Silêncio profundo. Profundíssimo. Suspiro. - Filha, eu estava falando sério! - Eu também pai. Mas hoje não consigo pensar no coletivo, só no campo individual mesmo. E de uma perspectiva feminista...

domingo, 24 de janeiro de 2016

Realidades do interlúdio

Dia de atividades intensas, o táxi se aproxima do portão na hora marcada. Já fico animada. Aperto a mão do motorista, senhor Guimarães (meu afeto por Rosa me dá uma piscadinha), me apresento. Ah, uma hora e meia de viagem para estudar e rever os temas da fala! Abro o ‘Ficções do Interlúdio’ de Fernando Pessoa e... pigarro. Pigarro? Sim, pigarro, do senhor Guimarães, que me olha pelo retrovisor: - Perdão mas, posso fazer uma pergunta? Naturalmente que pode... - A senhora é artista? Não, não sou artista. - Ah, sabe? É que ‘eles’ não costumam buscar qualquer pessoa, normalmente eu levo artistas. Quando eu não reconheci a senhora resolvi perguntar. Não sou artista não. - Mas o que a senhora faz deve interessar, né? Táxi é caro, daqui para lá são dois municípios e ‘eles’ não mandam buscar qualquer uma. A senhora faz o que? Sou professora de literatura. - Ahhhhhh! Silêncio profundo, profundo, profundo. ‘Ficções do interlúdio’, vamos lá, ‘Ela canta, pobre ceifeira’...pigarro. - Posso fazer uma pergunta? Naturalmente que pode... - Literatura é o que mesmo? Sim, a vida real me chama. Vamos lá, fecho o livro. Começo pela canção que está tocando no rádio (sim, um daqueles flagelos diários que me batem no fundo do ouvido e me maltratam o cérebro e o coração). Lá vou eu pela história que está sendo contada pela letra e blá, blá, blá. Me entusiasmo, ele também parece entusiasmado e vamos falando, falando... Eu pergunto sobre a escola, o que ele viu na escola, quando foi... vamos em prosa, vamos em poesia... - Ah, isso é literatura? Que bonito... e a senhora fala tão bem, tão gostoso. Mas, posso fazer uma pergunta? Claro que sim (estudar ficou para uma próxima oportunidade, lógico, ali está a vida real à minha frente). - A senhora ganha p’rá falar disso ou trabalha em troca de transporte e comida? ... (No mundo perfeito eu morreria nesse instante, mas bem...)

Cinco bons motivos...

1) O bem vence o mal; 2) A justiça pode tardar, mas não falha; 3) Por pior que seja seu começo de vida, tudo pode dar certo depois; 4) A bondade e a honestidade são sempre recompensadas; 5) Nem tudo é o que parece e uma coisa aparentemente sem valor pode ser simplesmente a chave da felicidade. (Cinco bons motivos para ler e contar contos de fadas)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

´De onde vem o português?´, selecionado para o Catálogo da FNLIJ para a Feira de Bologna. Que alegria! O catálogo completo pode ser baixado em www.fnlij.org.br - vale a pena ver a imagem de Brasil que a Fundação levará a Bologna neste 2016.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Mais uma imagem, mais um pouco sobre o novo livro

Mais uma imagem, leitura visual da Carla Irusta para o novo livro. Um ônibus-dragão, fumacento e engraçado, que leva uma garota de uma cidade para outra. Hoje escrevi um pequeno texto sobre mim para o livro. Por vezes uso um texto padrão, atualizado e com informações relevantes para o trabalho que vai sair mas, no mais das vezes escrevo uma nova minibiografia a cada vez, especialmente se o livro recebeu cuidado gráfico especial. É o caso deste livro: resultado de uma Bolsa de Criação Artística, a primeira que recebi na vida e que foi uma honra. No próximo post, mais um pouco sobre este trabalho tão bom de fazer.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Missa de sétimo dia - Gilberto Mendes

A missa foi bonita, mas dolorida. Missa de 7o. dia, quase só com os amigos daquele que partiu e foi um grande músico. Já tudo terminado, o pequeno grupo no jardim da igreja ensaiando despedidas, uma criança, a única presente ali, pegou a cestinha em que estiveram pétalas de rosas e pôs-se a cantar: ´Pela estrada afora eu vou bem sozinha...´ Não contive uma risada, da mais pura alegria diante da presença da vida, da música, dos contos de fadas, ali, depois de tudo. A queridinha devia ter cinco anos, se tanto. Criança muda tudo, música muda tudo. O grande músico se foi, nós estamos ainda um pouco e a música seguirá, sem nós, mas seguirá.